A pandemia de Covid-19 teve um impacto profundo na atividade das pequenas e médias empresas portuguesas, com quebras acentuadas de faturação, recurso massivo a apoios extraordinários e uma adoção acelerada do teletrabalho. As conclusões são do Barómetro PME Magazine, que analisou a realidade empresarial no final de 2020 e as perspetivas para 2021.
O estudo confirma que o choque pandémico atingiu diretamente o desempenho comercial das empresas. Mais de metade das PME inquiridas registou reduções nas vendas em 2020 face ao ano anterior, refletindo as restrições à atividade económica e a quebra da procura.
Vendas em queda e dependência de apoios
O contexto de crise levou 58% das empresas a recorrer a medidas públicas de apoio, com destaque para o layoff simplificado, utilizado por um terço das PME, sobretudo entre pequenas empresas.
Apesar do cenário adverso, os níveis de confiança mantiveram-se moderados: 61% das empresas acreditavam não ter necessidade de recorrer à banca em 2021, ainda que persistisse incerteza quanto à evolução económica.
No comércio digital, a penetração continuava limitada. Apenas 24% das empresas vendiam online e, em metade dos casos, o e-commerce representava menos de 15% das receitas.
Teletrabalho generaliza-se, mas divide opiniões
A reorganização do trabalho foi uma das mudanças mais rápidas e estruturais. Para muitas empresas, o teletrabalho implicou investimento em plataformas digitais, software colaborativo e equipamentos.
Ainda assim, apenas 27% reportaram investimento direto em ferramentas digitais, uma vez que parte já dispunha das soluções necessárias.
Os efeitos na produtividade revelaram-se mistos: 39% afirmaram ser mais produtivos em casa e 37% consideraram o escritório mais eficiente.
Já ao nível da cultura organizacional, o impacto foi mais negativo, com perdas de coesão, espírito de equipa e convívio profissional.
Emprego resiste, mas com ajustamentos
No último trimestre de 2020, não se registaram alterações significativas nos quadros de pessoal da maioria das PME, embora cerca de 20% tenham reduzido equipas.
Para 2021, o sentimento era mais otimista: 43% previam contratar, sobretudo nas áreas de vendas e operação, sinalizando foco na recuperação comercial.
Gestão sob pressão e longas horas de trabalho
O Barómetro PME Magazine evidencia também o esforço acrescido das equipas de gestão. A média semanal de trabalho ultrapassou as 40 horas, sendo mais elevada entre CEO e diretores gerais.
Ainda assim, 76% consideravam manter equilíbrio entre vida pessoal e profissional, apesar da pressão acrescida do contexto pandémico.
Desafios para 2021: recuperar vendas e acelerar digital
Questionadas sobre prioridades futuras, as PME identificaram três grandes desafios: Recuperação das vendas; Coesão e gestão de equipas; Transformação digital.
2021 ainda está muito no seu início e existe ainda muita incerteza relativamente à evolução da pandemia. Contudo, os inquiridos identificam claramente como principal desafio para 2021 as vendas. Ao mesmo tempo, são identificados igualmente como desafios a coesão da equipa e a transformação digital, áreas também fortemente impactadas pela pandemia.
